Jeny

Olá Docinhos!

Sem o glamour dos restaurantes famosos, as festas de igreja carregam o melhor da gastronomia popular. Essa que é feita pelo próprio povo, pelas senhorinhas das paróquias, que conhecem os temperos de olhos fechados nas feiras de bairro. Mãos enrugadinhas, ágeis no fogão, fortes para mexer grandes quantidades de caldos e comidas, precisas na matemática dos ingredientes e impecáveis ao construir o sabor de cada receita.

Há lugar para todas as gastronomias no meu coração, mas não posso deixar de mencionar um carinho especial que tenho pelas comidas de festas de igreja. Sou uma caçadora de quermesses do meu bairro. Anoto as datas no meu calendário e faço contagens regressivas, já selecionando o que vou comer no dia!

Com a festa portuguesa da Paróquia Bom Pastor não foi diferente. Ela acontece apenas uma vez ao ano (o que é tão pouco pra tanta gostosura) e não deixei de ir, mesmo depois de um dia longo de trabalho e resfriado. Cheguei lá no final da missa, com o padre dando a benção final com muita água benta para o povo, a comunidade numa alegria só! Jatos de água e euforia, era fé e alívio por poder finalmente comer após a celebração.

Com o pátio da igreja cheio, TNTs em verde e vermelho na decoração, barraquinhas rodeando o pátio (típica decoração das quermesses), passei olhando as opções de comidas vendidas. Uma mistura de comidas brasileiras com algumas típicas da portuguesa: pastéis, caldo verde, sardinhas assadas na brasa muito lindas com pães quentinhos e tomates, churrasquinho, bacalhau, no pastel e na salada, pratos com grão de bico, doces brasileiros, doces portugueses: pastel de nata – que não pode faltar -, torta de amêndoas laminadas, quindim, pastel de santa clara e travesseiro de sintra.

Muito amarelo e branco, comidas vibrantes, doces, brilhosas e o exemplo perfeito de como ovos e açúcar misturados dão certo!

Como já havia comido quindim e pastel de santa clara outras vezes, decidi começar pelo pastel de nata, nenhuma novidade para mim, mas, por força da tradição, foi o primeiro doce que comi na festa. Muito bem recheado e gostoso, morninho ainda, o creme bem cozido, doce e firme na medida certa. Reconfortante numa noite de sereno, ótima entradinha.

Depois, comi metade da tortinha de amêndoas laminadas, linda, com massinha crocante por fora e um creme bem consistente por cima, não tão doce, mas bastante saboroso, as lâminas de amêndoas estavam ótimas e deram um toque de crocância especial para a receita. Ainda tenho aqui alguma dúvida sobre a origem portuguesa desse doce… Se puderem me ajudar a descobrir, agradeço! No mais, deliciosa e harmônica!

 

Por fim, casualmente fui premiada com o meu favorito da noite: Travesseiro de Sintra. Nunca havia comido e fiquei completamente apaixonada. Pensei que por ter comido já outros doces, não saborearia tão bem o último, mas aconteceu exatamente o contrário. A suavidade começou com o açúcar de confeiteiro por cima do doce, depois, a massa folhada perfeita, crocante e levemente salgada ressaltando a doçura do creme de ovos com amêndoas no interior do doce. Quentinho, aconchegante e alegremente doce invadindo a boca. Não poderia ter finalizado melhor essa experiência gastronômica.

As comidas de quermesse são das experiências tipo raiz, que você come em pé mesmo, andando pelo pátio, sem requinte e sem grandes adereços. Percebi ainda que ovos são mesmo alimentos fortes, pois saí revigorada depois dessas delícias!

Terminei a noite acompanhando o festejo português. Músicas portuguesas, senhorinhos e senhorinhas dançantes e alegres, crianças correndo e brincando pelo pátio da igreja. Imagens de recordações e afetos para mim. Sem dúvida, as quermesses não podem acabar. Elas guardam muito das tradições populares, das receitas tradicionais de cada bairro ou comunidade, da história de cada região.

E vocês, costumam participar de alguma festa de igreja ou festa popular do teu bairro? Compartilhem com a gente, aí nos comentários, as suas festas favoritas!

Até a próxima!

Por Tânia Beniz.

Tânia Beniz é professora e escritora (nas horas vagas hehe), e de vez em quando vai aparecer por aqui compartilhando experiências gastronômicas. Se você quer ler mais crônicas dela, acesse  https://literaturadecafe.wordpress.com/

Doces Abraços Docinhos!

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Nalu Beniz

Sou Ana Luiza Beniz.Carioca,Gastronôma, Confeiteira e Blogueira de Gastronomia.Seja bem-vindo ao Cozinhando Sempre Bela, meu Docinho!